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Para famílias

Como desenvolver as competências de crianças com perturbação do espetro do autismo durante a crise do coronavírus?

29 de abril de 2020

Quer queiramos acreditar quer não, o coronavírus está presente, e o seu filho estará fora da escola e da terapia durante várias semanas, talvez meses. Para as nossas crianças com perturbação do espetro do autismo, esta mudança automática e repentina pode afetá-las.

Tentar explicar ao seu filho a razão pela qual não pode ir à escola quando não são férias letivas ou férias de verão pode ser complexo e confuso para a criança. O que aumenta a confusão é o facto de o seu filho deixar de frequentar os seus locais favoritos na comunidade.

Durante esta mudança drástica, tenha em consideração duas coisas:

1. As nossas crianças sentem a ansiedade e o stress não-verbais do mundo com maior intensidade; por isso, ao interagir com o seu filho, é essencial manter-se calmo e positivo.

2. Ficar em casa com o seu filho exigirá muita paciência, criatividade e positividade.

É essencial criar uma rotina diária

A primeira recomendação que fazemos vivamente a todas as famílias é a criação de uma rotina diária. Existem muitos modelos de rotinas disponíveis na Internet que pode adaptar ao seu estilo de vida. Se o seu filho puder participar na elaboração do plano diário, permita que o faça, devido à importância do seu contributo. Ao estruturar a rotina, não planeie nenhuma atividade com duração superior a 45 minutos.

Proporcione muitas pausas sensoriais para estimular a energia e o movimento do seu filho. Inclua também competências de autocuidado, tais como: vestir-se, tomar banho, escovar os dentes, idas à casa de banho, refeições, entre outras. Durante este período, é aceitável que o seu filho participe em comportamentos de autoestimulação e tenha tempo de ecrã. Isto permite que ambos descansem um do outro e descomprimam. Para ajudar na transição do seu filho de uma atividade para outra, utilize o temporizador do telemóvel.

O uso do temporizador é sempre útil porque permite que o seu filho saiba quando a atividade termina. Todas as manhãs, programe todos os períodos de transição no temporizador do seu telemóvel para se manter fiel à rotina diária. Dê um aviso verbal antes de o temporizador tocar. Por exemplo: "Daqui a dois minutos, quando o temporizador tocar, vamos arrumar e começar a escrever." Pode cantar uma canção de transição durante esse período ou utilizar um sinal de aviso que indique a mudança.

Criar uma rotina de ensino em casa pode ser bastante desafiante. O nosso conselho é consultar os objetivos presentes no Programa Educativo Individualizado (PEI) ou no plano terapêutico do seu filho e encontrar fichas de trabalho ou atividades que ajudem a consolidar esses objetivos. Além disso, defina um objetivo pessoal que gostaria que o seu filho alcançasse nas próximas duas a três semanas. Quer o objetivo seja aprender a escrever o próprio nome ou a vestir-se sozinho, ficará surpreendido com o que pode ser aprendido em casa.

Como existem inúmeras atividades de ensino doméstico por onde escolher, criámos uma lista daquelas que considerei mais úteis. Estas atividades dividem-se em cinco categorias: sensoriais, de motricidade grossa, de motricidade fina, jogos e competências de autocuidado. O aspeto mais vantajoso destas atividades é não ter de comprar materiais dispendiosos para as realizar. Tudo o que precisa é de recorrer a objetos simples que tem em casa. O lado positivo decorrente do distanciamento social é o fortalecimento do vínculo entre si e o seu filho.

1. Brincadeira sensorial

A brincadeira sensorial é fantástica porque incentiva as crianças a utilizar os cinco sentidos: visão, tato, paladar, olfato e audição. Algumas ideias de atividades sensoriais incluem fazer bolas de sabão e incentivar o seu filho a persegui-las e a rebentá-las. Coloque espuma de barbear sobre uma mesa e peça ao seu filho para desenhar ou escrever letras e números.

Este é o momento ideal para passar tempo de qualidade com o seu filho. Encha uma caixa de plástico com pérolas de água e esconda pequenos animais de brincar, dinossauros ou qualquer objeto de que o seu filho goste, pedindo-lhe depois para os encontrar. A cada semana, varie os materiais no recipiente, utilizando papel picado, massa crua, areia, etc.

2. Atividades de motricidade grossa

As atividades motoras focam-se no fortalecimento e na coordenação das pernas e braços, bem como no desenvolvimento dos grandes grupos musculares. Por exemplo: pode colar fita adesiva numa linha reta e fazer com que o seu filho caminhe sobre a fita (trabalhando o equilíbrio); outro exemplo: atirar uma bola para um cesto (trabalhando a coordenação óculo-manual) ou rastejar por baixo de uma corda.

Peça ao seu filho para o ajudar em tarefas motoras, como arrastar cadeiras ou transportar o cesto da roupa suja. Estas são excelentes formas de ajudar a satisfazer as necessidades sensoriais da criança.

3. Competências de motricidade fina

As competências de motricidade fina são fundamentais porque auxiliam na escrita e nas tarefas de autocuidado. Algumas atividades lúdicas incluem: brincar com plasticina. Pode desenvolver a força dos dedos e das mãos enrolando a massa em pequenas bolas ou moldando animais, como cobras. Esconda pequenos objetos, como contas ou moedas, na plasticina e oriente o seu filho a encontrá-los.

Outra atividade simples necessita apenas de autocolantes e papel. Distribua pontos aleatoriamente pela folha com uma caneta ou marcador. Peça ao seu filho para colar autocolantes (escolha personagens ou figuras que ele aprecie) por cima dos pontos. Torne o exercício educativo desenhando os pontos em formato de figuras geométricas, letras e números, para que a criança os preencha com autocolantes de forma a criar a forma, a letra e/ou o número pretendido. Ensine também o seu filho a pintar sem ultrapassar os limites dos contornos.

Imprima ilustrações simples para colorir (que não tenham demasiados detalhes) e reforce os contornos com um marcador preto ou lápis de cera. Ao tornar as linhas mais escuras e espessas, ajuda a criança a identificar com clareza os limites do desenho. Pode começar a introduzir o manuseamento da tesoura e o corte, por exemplo, cortando plasticina.

Para incentivar a escrita, desenhe formas, escreva números e letras ou escreva o nome do seu filho numa folha de papel e oriente-o a cobrir os traços.

4. Jogos

Os jogos fomentam a partilha de turnos e o cumprimento de regras. Este é o momento ideal para trabalhar a dinâmica do jogo num contexto de aprendizagem individual. Quando o seu filho regressar à escola, terá consolidado as competências básicas de alternância para brincar com os colegas. Ao ensinar a respeitar a vez, comece por jogos simples e com regras claras que reforcem o princípio "a minha vez / a tua vez". Pode começar por montar puzzles em família, alternando quem coloca as peças.

Pode também imprimir desenhos para colorir e alternar a pintura de cada parte. Associe atividades físicas a pistas visuais

(imagens). Por exemplo: segurar numa folha de papel verde significa começar a saltar, correr, etc., e levantar uma folha de papel vermelha significa parar.

Pode ensinar o conceito de perseguir e apanhar. Para começar, faça o seu filho caminhar ou correr atrás de si e peça-lhe para lhe tocar dizendo o seu nome; em seguida, vire-se, caminhe ou corra atrás dele e toque-lhe. Continue a fazer este movimento de ida e volta até conseguir aumentar a distância e o ritmo. A apanhada é uma competência lúdica essencial, uma vez que muitas das brincadeiras no recreio se baseiam em correr e apanhar. Assim que o seu filho demonstrar facilidade em jogos simples, pode começar a ensinar jogos com regras mais estruturadas, como o jogo das escondidas.

5. Competências de autocuidado

As competências de autocuidado são de extrema relevância, não só por promoverem a autonomia da criança, mas também por estimularem a capacidade de resolução de problemas. A cada semana, pode selecionar uma ou duas competências de autocuidado para trabalhar com o seu filho. Após a escolha, é indispensável decompor a tarefa passo a passo, ensinando-a em pequenas etapas sequenciais e, progressivamente, interligando todas as fases.

Por exemplo: se pretende ensinar o seu filho a vestir-se de forma autónoma, não começará por ensinar a calçar as meias e a vestir as calças, mas sim a vestir a camisola sozinho. Logo que a criança consiga vestir a camisola de forma autónoma, passe para as calças. A seguir, calçar as meias, fazendo com que vista as calças e a camisola sem ajuda. Mantenha este procedimento até que a criança consiga vestir-se inteiramente sozinha.

Algumas das competências de autocuidado que pode praticar incluem: lavar as mãos, escovar os dentes, atar os sapatos, abrir e fechar a lancheira e/ou a mochila, utilizar talheres ou guardanapos, entre outras. Caso o seu filho necessite de apoio visual, pesquise na Internet, pois existem diversos recursos visuais gratuitos para descarregar relativos a cada uma destas etapas de autoajuda, os quais dividem as competências em passos simples e sequenciais.

Esta é a oportunidade indicada para fortalecer a comunicação com o seu filho, transmitindo-lhe em simultâneo competências práticas de vida que serão úteis para o seu futuro.

Procure focar-se em temas e elementos do agrado do seu filho. Ao selecionar as atividades da sua preferência, estará a potenciar a comunicação social e a interação consigo. O objetivo principal deste período (a crise do coronavírus) passa por estreitar o envolvimento social com a criança por via da aprendizagem e da fruição das atividades diárias.

Fonte:

.https://www.autismparentingmagazine.com/?p=30157?utm_source=sharebar&utm_medium=twitter&utm_campaign=mashshare


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Publicado originalmente em árabe. Esta versão em português foi produzida com tradução assistida por IA; o original em árabe permanece como referência.

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