Integração Sensorial
12 de maio de 2018
A integração sensorial é um dos programas mais destacados e importantes no autismo, sendo da competência do terapeuta ocupacional. É este profissional que identifica onde reside o problema sensorial na criança com autismo, trabalhando para organizar os sentidos da criança autista para que a informação chegue de forma correta e seja processada adequadamente no cérebro. Por outro lado, estabelece a ligação entre os diferentes sentidos para que funcionem como um todo. O trabalho do terapeuta ocupacional especializado em integração sensorial baseia-se, em primeiro lugar, no sentido do tato.
• Teoria da Integração Sensorial: uma perspetiva histórica:
A teoria da integração sensorial procura explicar os problemas específicos de aprendizagem e comportamento que não resultam de lesões no sistema nervoso central. A primeira pessoa a estabelecer os fundamentos da teoria da integração neurossensorial foi a terapeuta ocupacional americana Jean Ayres. Esta acrescentou aos cinco sentidos já nossos conhecidos outros sentidos ocultos: o sentido vestibular, associado ao ouvido interno e que fornece informações sobre a gravidade (espaço, equilíbrio, movimento) através da posição da cabeça e do corpo em relação à superfície da terra; a sensação de equilíbrio, que se localiza no ouvido interno e nos informa sobre a posição da cabeça para a frente ou para trás, mesmo de olhos fechados. O foco de Ayres na função neurológica e nos processos de aprendizagem contribuiu para o avanço na compreensão da "inteligência" como resultado da perceção sensorial, da integração sensorial e do processamento sensorial. O seu trabalho deu origem a inúmeros estudos para melhorar as capacidades de aprendizagem através da terapia de integração sensorial, que ajuda as crianças a avançar rumo a um maior aproveitamento das capacidades mentais.
• A primeira pessoa a descobrir a teoria da integração sensorial:
Foi Jean Ayres, terapeuta ocupacional, em 1972. Para facilitar a explicação da teoria de Jean, é sabido que entre os sentidos básicos estão a visão e a audição, mas Jean focou-se em três sentidos adicionais que talvez tenham sido negligenciados pelos especialistas em desenvolvimento e crescimento infantil: o tátil (Tactile), através da pele, ou seja, o sentido do tato, que inclui o toque leve, a pressão, a sensação de dor e a sensação de temperatura; o propriocetivo (Proprioceptive), quer seja em músculos ou articulações, a sensação de movimento do corpo; e o vestibular (Vestibular), a sensação de equilíbrio, que se localiza no ouvido interno e nos informa sobre a posição da cabeça para a frente ou para trás, mesmo que fechemos os olhos. E para compreender melhor estas duas últimas sensações:
Exemplo:
Aprender a andar de bicicleta: quando a criança aprende a andar de bicicleta, é indispensável que combine estes dois sentidos — o movimento do corpo e o equilíbrio — de forma adequada, para que consiga conduzir a bicicleta sem cair ao chão. Até o feto no ventre materno utiliza estes sentidos antes da audição e da visão, pois reage à pressão exercida pelo exterior e move-se dentro do útero. Ao nascer, sente o toque da mãe e acalma-se quando esta o pega ao colo. Aos seis meses de idade, começa a articular a visão com o movimento e o equilíbrio.
Quando começa a aprender a sentar-se e a controlar o equilíbrio e o suporte, se a criança receber sensações diferentes — o tato, a perceção do movimento corporal, o equilíbrio, a visão, o olfato, a audição —, estas são consideradas estímulos sensoriais fundamentais para o cérebro. A função do cérebro é receber todos os estímulos sensoriais de forma contínua e utilizá-los de modo integrado.
Assim, receber tratamento por integração sensorial reside na melhoria da eficácia do sistema nervoso da criança na descodificação e utilização das informações sensoriais que lhe chegam do ambiente, de forma a ajudá-la a superar as suas dificuldades sensoriais. Desta forma, a criança aprende a selecionar a integração dos sentidos que a ajuda a alcançar o seu objetivo. E agora que o conceito de integração sensorial se tornou mais claro,
A questão é: qual é a sua relação com o autismo? A resposta é que as crianças autistas apresentam uma disfunção no sistema sensorial (Dysfunctional sensory system), sendo que essa alteração pode traduzir-se numa hiporreatividade ou hiper-reatividade num ou mais sentidos. Existem crianças que são fortemente afetadas pelo som (hiper-reatividade) e outras que agem como se não ouvissem (hiporreatividade). Outras detestam o toque, mesmo o toque ligeiro, e podem rejeitar determinado tipo de vestuário por ser áspero. Até a nível da alimentação, podem preferir alimentos macios e moles com uma textura suave na boca. Há, portanto, aqui uma disfunção sensorial: hipersensibilidade ou hiper-reatividade da criança ao sentido do tato. Há também quem reaja com intensidade à dor e, inversamente, quem não seja afetado por ela. Da mesma forma, existem crianças que adoram movimentos com estimulação vestibular, como muitas crianças que gostam de rodopiar sobre si próprias, balançar para a frente e para trás, saltar constantemente ou subir para cima dos móveis; temos aqui uma disfunção sensorial por hiporreatividade ao sentido do equilíbrio. Outras crianças, pelo contrário, não gostam de movimentos que envolvam equilíbrio, sentindo um medo extremo de movimentos comuns, como o baloiço, o escorrega ou até descer escadas, ou seja, sentem medo do espaço exterior. Aqui trata-se igualmente de uma disfunção sensorial (Hypersensitive), uma hiper-reatividade. A propriocetiva (Proprioceptive) é, como mencionámos, a perceção da presença do corpo a partir dos músculos e das articulações; quando este sentido funciona bem, conseguimos controlar a postura sentada ou o movimento da mão, como ao escrever com um lápis ou segurar numa colher. Contudo, quando existe uma disfunção, observamos que a criança tropeça frequentemente ao caminhar, isto é, cai muito ao chão, e tem dificuldade em controlar movimentos como alimentar-se sozinha ou abotoar a camisa. Quando há uma disfunção nos três sentidos enfatizados por Jean Ayres, haverá dificuldade na coordenação mútua entre a motricidade fina e a motricidade grossa, perdendo-se a integração sensorial.
• Conceito de integração sensorial: a receção de informações pelos seres humanos através dos vários sentidos, o seu envio para o cérebro e, subsequentemente, o seu processamento e a produção de respostas apropriadas. Cada sentido colabora com os restantes para formar uma imagem integrada de quem somos fisicamente, de onde estamos e do que acontece ao nosso redor. O cérebro é responsável por produzir esta imagem completa enquanto sistema de informações sensoriais utilizado continuamente. A integração sensorial eficaz ocorre de forma automática, inconsciente e sem esforço através das nossas experiências sensoriais, abrangendo o tato, o movimento, a consciência corporal, a visão, o som, a força da gravidade, o equilíbrio e o olfato.
A integração sensorial (SII) desenvolve-se na maioria das crianças através das atividades normais da infância. Constitui a base fundamental para a aprendizagem académica e o comportamento social. A integração sensorial tem início no útero, onde estes sentidos ocultos se desenvolvem precocemente durante as etapas da gestação, de modo que o cérebro do feto sente o movimento do corpo da mãe. Posteriormente, estes sentidos interagem com os outros sentidos — audição, visão, paladar e olfato —, que se desenvolvem mais tarde. O exemplo mais próximo do conceito de integração neurossensorial é a integração dos sentidos do tato e do olfato com os processos de sucção, respiração e deglutição durante a amamentação do bebé.
• Componentes do processo de comunicação sensorial:
Visão - Audição - Tato - Olfato - Paladar - Movimentos e equilíbrio - Posição corporal
• Importância do processo de integração sensorial:
11. Ajuda a pessoa a adaptar-se naturalmente ao ambiente que a rodeia, através da compreensão dos estímulos ambientais e da emissão da resposta adequada aos mesmos.
Exemplos: quando a criança pequena toca numa chávena quente e sente dor, retira rapidamente a mão e aprende.
22. O sistema tátil discriminativo: este sistema permite-nos determinar o local onde ocorreu o toque e a natureza do que foi tocado. O sistema tátil protetor: este sistema alerta-nos perante a exposição ao perigo, resultando em respostas de fuga, medo ou até reação agressiva. O mau funcionamento do sistema tátil pode levar o sistema protetor a interpretar um contacto normal como perigoso. No caso das crianças cujo sistema sensorial fornece informações erradas, estas encontram-se permanentemente em estado de alarme, podendo a reação consistir na fuga da criança, em pânico extremo, em reação agressiva ou, outras vezes, numa resposta verbal.
Perturbação da integração sensorial:
É uma perturbação neurológica resultante da incapacidade do cérebro de integrar e processar determinadas informações
recebidas através dos sistemas sensoriais e de uma alteração na relação contínua entre o comportamento
e o funcionamento cerebral. Por este motivo, podem surgir alguns comportamentos que parecem estranhos e para os quais não encontramos
uma explicação lógica clara ou um motivo evidente. Estes comportamentos afetam diretamente
o processo de aprendizagem da criança, constituindo um obstáculo à sua aprendizagem e à sua inclusão no ambiente educativo em que se encontra. Ela não consegue comunicar adequadamente com educadores e professores, nem com os seus colegas na sala de aula, e sente dificuldades na realização dos trabalhos de casa, dando início a uma cadeia de problemas familiares e escolares para a criança, o que torna difícil compreender estes problemas e lidar com eles. Desta forma, pode-se afirmar que as perturbações dos processos sensoriais na criança exercem um impacto direto e forte na sua aprendizagem, exigindo uma intervenção especializada para identificar estas perturbações e delinear um plano terapêutico com vista a minimizar os seus impactos negativos na criança. Tem-se observado que as crianças com tais problemas podem destacar-se noutras áreas e apresentar uma inteligência normal ou acima da média.
Quem apresenta problemas de integração sensorial:
1. Perturbação sensorial progressiva.
2. Autismo.
3. Casos avançados de défice de atenção e falta de concentração.
4. Casos de perturbação do equilíbrio (específicos do sistema vestibular).
5. Problemas nas competências académicas e artísticas.
6. Falhas na coordenação bilateral.
7. Perturbações dos centros de gravidade.
8. Perturbações motoras e perturbações associadas.
• Existem vários indicadores de défice de integração sensorial:
a) Perda de perceção da posição do corpo no espaço ou sensação de insegurança no movimento contra a gravidade terrestre.
b) Perda de perceção sensorial e visual e de competências sociais, tais como o atraso na linguagem e na fala, que conduz à perda de autoconfiança.
c) Dado que esta disfunção pode consistir em hiporreatividade ou hiper-reatividade num ou mais sentidos, há crianças fortemente afetadas pelo som (hiper-reatividade) e outras que agem como se não ouvissem (hiporreatividade).
d) Outras detestam o toque, mesmo o toque ligeiro, e podem rejeitar determinado tipo de vestuário por ser áspero.
e) Até a nível da alimentação, podem preferir alimentos macios e moles com uma textura suave na boca... Havendo aqui uma disfunção sensorial: hipersensibilidade ou hiper-reatividade da criança ao sentido do tato.
f) Também há quem reaja intensamente à dor e, inversamente, quem não seja afetado por ela. Da mesma forma, existem crianças que gostam de movimentos com estimulação vestibular, como muitas crianças que gostam de rodopiar sobre si próprias, balançar para a frente e para trás, saltar constantemente ou subir para os rebordos dos móveis; trata-se aqui de uma disfunção sensorial por hiporreatividade ao sentido do equilíbrio. Outras crianças, pelo contrário, não gostam de movimentos que envolvam equilíbrio, sentindo um medo extremo de movimentos normais, como o baloiço, o escorrega ou até descer escadas, isto é, sentem medo do espaço exterior; também aqui se verifica uma disfunção sensorial (Hypersensitive), uma hiper-reatividade.
g) A propriocetiva (Proprioceptive) é a sensação da presença do corpo a partir dos músculos e das articulações; quando este sentido funciona bem, conseguimos controlar a forma como nos sentamos ou o movimento da mão, como ao escrever com um lápis ou ao segurar numa colher. Contudo, quando há uma disfunção, vemos que a criança tropeça frequentemente ao caminhar, ou seja, cai muito ao chão, e tem dificuldade em controlar movimentos como alimentar-se a si própria ou abotoar a camisa.
h) E quando há uma disfunção nos três sentidos destacados por Jean Ayres, haverá dificuldade na coordenação mútua entre os pequenos e os grandes músculos... perdendo-se a integração sensorial.
i) Dificuldade em segurar num lápis, brincar com brinquedos ou realizar tarefas de autocuidado, como vestir-se, apesar de ser inteligente.
j) Apresenta hiperatividade e frequentemente cai, corre e bate perigosamente com a cabeça.
k) A criança coloca as mãos nos ouvidos ao ouvir o som de um carro a passar na rua ou ao ouvir o som de um lápis a escrever.
l) Fixação da criança na ventoinha em rotação, de uma forma que a impede de se concentrar no que se passa ao seu redor.
m) Falta de noção de distâncias por parte da criança, o que por vezes a leva a saltar de locais altos que podem provocar-lhe lesões.
n) Falta de vontade de ser tocada ou de receber beijos, evitando demonstrações de afeto.
o) Sensibilidade a brincar com lama ou plasticina.
p) Caminhar apenas na ponta dos pés.
q) Automutilação ou agressão a terceiros.
r) Dificuldade em trepar, correr ou chutar uma bola.
• Como a criança recebe as informações e como reage a elas:
Quando a criança pequena coloca a mão numa chávena de chá quente, vemos que retira rapidamente a mão por sentir o calor da chávena, aprendendo que não deve voltar a colocar a mão nessa chávena quente. Esta situação simples envolveu múltiplos processos complexos: a criança viu diante de si um objeto cilíndrico semelhante a algo que conhece, a chávena ("reconhecimento do próprio objeto"), estendeu a mão em direção à chávena na distância adequada entre ela e a chávena ("avaliação de distâncias através da visão"), pousou a mão e sentiu o calor ("sensação térmica da pele") e o cérebro compreendeu que aquele calor exigia que retirasse a mão da chávena. Isto é parte dos processos primários a que a criança é exposta nesta situação... Se quisermos compreender os processos de forma simplificada, pode dizer-se que as informações sensoriais entram no corpo através dos sentidos, sendo depois transportadas pelos nervos até ao sistema nervoso central, que descodifica estas informações, define a resposta adequada e converte essas respostas em impulsos nervosos transportados pelos nervos até aos órgãos de onde se pretende a resposta enviada, executando o órgão essa resposta. Se ocorrer uma anomalia em qualquer um dos passos supramencionados, a resposta não será adequada ao estímulo, visto que o processo sofreu uma falha que afetou os passos restantes.
a) Área visual:
Os estudos e a observação comportamental direta indicam o seguinte:
- As crianças com autismo não utilizam o campo visual para recolher estímulos visuais de forma adequada.
- As crianças com autismo carecem de competências de contacto visual.
- Algumas crianças com autismo caracterizam-se por visão em túnel e sensibilidade visual, através da discriminação de certos estímulos visuais em detrimento de outros.
b) Alterações na área auditiva:
Observa-se a existência de múltiplos problemas na área da integração auditiva e da memória auditiva em crianças com autismo, o que se manifesta através do seguinte:
1. Sensibilidade das crianças com autismo a sons.
2. Falta de resposta da criança autista às vozes dos outros quando é chamada.
3. Alteração no comportamento da criança autista quando exposta a sons variados.
4. Tendência das crianças autistas para a música e para a fala entoada.
5. Limiar auditivo muito baixo e elevada capacidade de discriminação sonora em algumas crianças.
c) Área do paladar:
Esta perturbação é observada em crianças com autismo através da existência de uma elevada sensibilidade na boca, que se manifesta pela tendência de as crianças com autismo colocarem na boca objetos não destinados à alimentação, bem como pela preferência por um tipo específico de comida em detrimento de outros, além de algumas crianças com autismo preferirem comida picante ou salgada.
d) Posição corporal e movimentos:
1. Colocar a criança em posições corporais que permitam a realização de tarefas apropriadas.
2. Exercer uma ligeira pressão sobre o corpo com a movimentação de algumas partes corporais.
3. Posicionar a criança sentada e solicitar-lhe a realização de tarefas específicas.
4. Massagem simples e movimentos suaves em certas zonas dos braços e pés, focando as competências finas e as competências de coordenação visuomotora.
5. Fazer a criança segurar determinados pesos e pedir-lhe que os transporte para que sinta o peso sobre os músculos e articulações.
e) Comunicação facilitada:
A necessidade desta modalidade de intervenção surgiu pelo facto de a pessoa com autismo enfrentar dificuldades em comunicar com os outros e em expressar-se devido a uma alteração no controlo e organização do movimento, apesar de possuir a capacidade de compreender a linguagem escrita ou a fala das pessoas. Para ultrapassar este problema, algumas pessoas com formação recorrem a métodos e recursos que facilitam a comunicação destas pessoas com os outros, como segurar na mão da pessoa e colocá-la sobre teclas específicas de um determinado dispositivo ou computador. Este método facilita a capacidade de a pessoa adquirir a capacidade de expressão. Este método foi utilizado com indivíduos que se acreditava serem incapazes de comunicar de todo, tendo conduzido a resultados positivos e melhorado a sua capacidade de expressão.
• Quem avalia o processo de integração sensorial na criança e define os treinos necessários?
É o especialista em terapia ocupacional que possua certificação em terapia de integração sensorial (Occupational Therapist).
Ele é capaz de diagnosticar a criança com perturbação de integração sensorial e possui conhecimento sobre a aplicação dos testes específicos
para a Perturbação da Integração Sensorial (Sensory integration Disorder), existindo vários testes que realiza, tais como:
The Miller Assessment for Preschoolers (Miller, 1988), que inclui testes de esterognosia, perceção tátil e função vestibular (stereo gnosis, tactile perception and vestibular function).
Existe também outro teste mais abrangente, desenvolvido por Jean Ayres, utilizado apenas por quem tenha recebido formação específica:
SIPT (Ayres, 1989), publicado por Western Psychological Services.
Geralmente, o terapeuta ocupacional encontra-se em centros especializados em autismo ou centros de deficiência, sendo o seu papel fundamental na avaliação da criança e na participação no plano educativo... identificando os pontos fortes e fracos e delineando exercícios que ajudem a criança a superar as dificuldades que enfrenta.
• A sala de integração sensorial:
Trata-se de uma sala equipada com alguns instrumentos especiais para estimular e despertar os sentidos da criança (audição, visão, tato). Para as crianças que apresentam atrasos de desenvolvimento a nível cognitivo e sensorial e na interação com o meio circundante, esta sala ajuda a estimular a visão e o contacto visual e a aumentar a concentração da criança através da apresentação de cores atrativas, estimulantes e intensas diante dos seus olhos, levando-a a fixar o olhar e a pensar no novo mundo que a rodeia.
Consequentemente, começa a focar-se no outro mundo para explorar o que a rodeia e o que se passa à sua volta, ouvindo sons maravilhosos que lhe permitem desenvolver o sentido da audição e a concentração auditiva em tudo o que decorre ao seu redor.
• Princípio de funcionamento da sala de integração sensorial:
O cérebro recebe as informações que lhe chegam dos diferentes sentidos, analisando-as, compreendendo-as e lidando com elas através das respostas apropriadas. Alguns especialistas presumem que as pessoas com deficiências graves apresentam uma perturbação ou disfunção na receção das informações sensoriais e que estes sentidos necessitam de ativação ou estimulação para que funcionem corretamente... A sala de terapia sensorial foi concebida especificamente para estimular todos os sentidos, contendo um vasto conjunto de instrumentos, aparelhos e brinquedos que atuam estimulando múltiplos sentidos em simultâneo. A estimulação multissensorial pode ser definida como um tipo de terapia não diretiva concebida para casos graves de deficiência intelectual, bem como para crianças que sofrem de perturbações graves do desenvolvimento, como o autismo, entre outras. Uma das vantagens fundamentais da terapia multissensorial é a sua não dependência de instruções verbais ou escritas, podendo assim ser utilizada com casos que apresentem uma perturbação grave da comunicação.
• Quais são os resultados da integração sensorial?
A integração sensorial contribui para o desenvolvimento da autorregulação, do conforto, do planeamento motor, das competências motoras, da atenção e da prontidão para a leitura.
• Autorregulação
• Estímulos sensoriais
• Planeamento motor
• Como ocorre a integração sensorial?
Williamson e Anzalone (1996: 55) definiram componentes inter-relacionados que ajudam a explicar como ocorre a integração sensorial. Estes componentes são:
1) Registo sensorial.
2) Orientação.
3) Interpretação.
• Terapia por integração sensorial: existem muitos exercícios que os pais podem realizar com a sua criança em casa, destinados a crianças com dificuldades de integração sensorial, quer tenham autismo ou não. Por exemplo: habituar a criança a aceitar o toque pode ser feito durante o banho da criança, como a utilização de uma esponja vegetal ou de um pano com sabonete espumoso; fazer massagens no corpo da criança com um creme específico ou óleo; a brincadeira da sanduíche, como colocar a criança entre duas almofadas num ambiente divertido e aplicar pressão leve e forte alternadamente, procurando comunicar com a criança para saber se deseja uma pressão leve ou forte, garantindo que seja prazeroso para a criança; existem também brincadeiras como a imersão numa piscina cheia de bolas de plástico... ou num recipiente cheio de grãos de areia; habituar-se a tocar em diferentes materiais, como participar em amassar massa, transportar água fria ou morna como forma de participação na cozinha; aproximar do corpo da criança brinquedos ou bonecos de textura suave ou áspera. Outros exercícios variados para a criança que tem medo de movimentos no espaço ou de rodopiar: pode ser habituada a baloiçar numa cadeira de baloiço no início e, mais tarde, balouçar nos baloiços. Também brincadeiras que exigem rastejar sobre a barriga, como entrar num túnel de tecido; além disso, o treino de saltos e o treino de subir degraus de uma pequena escada,
como a escada do escorrega; treinar a criança no escorrega gradualmente através de brinquedos adequados é também muito útil. Globalmente, observamos muitos exercícios, tais como rastejar, trepar, balançar, rodopiar, saltar, brincar com água, brincar com areia e brincar com massa — todos integrados em brincadeiras variadas e divertidas que podem ser aplicadas gradualmente com a criança, recorrendo a meios de reforço e partilha. Existem muitos vídeos que ajudam os pais e também os professores nos centros a aplicar os exercícios a crianças com fragilidades na integração sensorial. O brincar é considerado um dos maiores e mais importantes meios para ensinar as crianças e para melhorar a sua saúde psicológica, comunicativa e física. Sem dúvida, as crianças com autismo carecem de um ou mais destes privilégios, tendo estes brinquedos sido concebidos de forma ponderada para desenvolver os sentidos da criança, fazê-la prestar maior atenção ao brinquedo e ajudá-la na coordenação sensoriomotora e na interação com o outro.
Menciono alguns deles:
1. A cadeira de baloiço: muito elegante e confortável, proporciona um movimento suave devido ao seu equilíbrio inteligente.
2. A cama de água: a cama está cheia de água e equipada com um sistema musical, podendo a música ser substituída pelo Sagrado Alcorão.
3. O tapete ondulado: ajuda a criança a desenvolver competências de equilíbrio e a desenvolver os músculos das pernas.
• Métodos de intervenção:
A abordagem terapêutica que prestamos a crianças com autismo baseia-se na integração sensorial, na qual o terapeuta ocupacional estimula a pele da criança autista e o seu sistema vestibular. Esta estimulação inclui diversas atividades, tais como o baloiço, o movimento giratório e rotativo dentro de cadeiras equipadas para o efeito, a escovagem de determinadas partes do corpo e o envolvimento das crianças em atividades que englobam movimento e equilíbrio.
Os estudos confirmaram a eficácia do método de integração sensorial na intervenção com crianças autistas, juntamente com atividades específicas que aumentam a concentração, a capacidade de reflexão e a resolução de problemas. Além disso, o terapeuta ocupacional procura envolver a criança em brincadeiras que ocupam amplos espaços no chão, como trepar e correr.
Referências:
- Dr. Bahaa El-Din Galal - Diretor do Centro HELP para o Médio Oriente e Norte de África.
- Professora Rehab Al-Hadidi, supervisora pedagógica - Formadora certificada pelos centros HELP e POP e pela Agência Americana de Formação - Investigadora em autismo, Síndrome de Down, integração sensorial, linguagem e comunicação.
- Ibrahim Rashid: Especialista em dificuldades de aprendizagem do desenvolvimento e dispraxia, perito educativo e consultor em dificuldades de aprendizagem, ensino básico, educação pré-escolar e não falantes de árabe.
Publicado originalmente em árabe. Esta versão em português foi produzida com tradução assistida por IA; o original em árabe permanece como referência.






