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Para profissionais

O que são as práticas baseadas em evidências?

25 de outubro de 2021

O que são as "práticas baseadas em evidências"?

São os métodos e abordagens terapêuticas cuja eficácia foi comprovada pelos investigadores através da investigação científica, nos quais se baseia a tomada de decisões para a prestação de serviços de cuidados e educação.

A investigação também comprovou que os indivíduos com perturbação do espetro do autismo beneficiam da intervenção precoce e de intervenções adequadas ao longo de toda a vida. A aprendizagem não termina aos cinco anos de idade; pelo contrário, os indivíduos com autismo podem beneficiar de terapias que integram abordagens baseadas em evidências, tais como técnicas de análise do comportamento e suportes visuais, para visar as competências mais relevantes para a vida dessa pessoa.

Nota:

1. Não se pode presumir que todas estas práticas sejam aplicáveis a todos os indivíduos com perturbação do espetro do autismo.

2. O profissional necessita de formação intensiva em cada tipo de prática que mencionaremos aqui.

3. O profissional necessita de medir a eficácia destas práticas através da definição de objetivos inteligentes para cada indivíduo com quem as aplica.

4. Estas práticas não determinam o tipo de objetivos a trabalhar; dependem, antes, da sua capacidade de deduzir os objetivos para os quais tais práticas possam ser adequadas.

1. Intervenções baseadas em antecedentes:

Antecedent-based interventions (ABI)

A intervenção baseada em antecedentes é uma das formas de práticas baseadas em evidências, através da qual se utilizam intervenções baseadas em antecedentes para reduzir o comportamento-problema identificado e aumentar o comportamento desejado através da modificação do ambiente.

Exemplo:

O Khaled é uma criança de 5 anos com perturbação do espetro do autismo. Sempre que entra na sala de aula e vê os brinquedos, atira-se para o chão com o desejo de os obter. Todas as manhãs, antes de o Khaled entrar na sala de aula, a técnica coloca os brinquedos num local elevado onde o Khaled os possa ver, mas que seja de difícil acesso, e diz-lhe que primeiro começaremos o processo de aprendizagem e que depois poderá brincar com os brinquedos.

2. Intervenções implementadas pelos pais

Parent implemented interventions (PII)

As intervenções implementadas pelos pais consistem em profissionais que colaboram com os encarregados de educação, sendo estes treinados para aplicar práticas baseadas em evidências (EBPs) com os seus filhos durante as rotinas diárias e atividades.

Exemplo:

Envolver a família no treino da criança através das rotinas diárias, como treinar a criança para expressar as suas necessidades quotidianas através da competência de fazer pedidos: treinando-a a usar a palavra "quero" ou a identificar o item desejado de forma clara, como dizer (água) quando quer obter água; e também o treino de competências sociais: apertar a mão ao encontrar pessoas, cumprimentar os pares.

3. Reforço diferencial

Differential reinforcement

O reforço diferencial é a aplicação de reforço na ausência do comportamento-problema ou quando ocorre o comportamento alternativo, a fim de reduzir a ocorrência de comportamentos-problema (por exemplo: choro, agressão, autolesão).

Exemplo: O Khaled chora quando quer a caixa de lápis de cor. Sempre que o Khaled parar de chorar, o comportamento de (não chorar) será reforçado.

4. Treino por tentativas discretas

Discrete trial training

É uma das estratégias pedagógicas derivadas da análise aplicada do comportamento. O treino por tentativas discretas baseia-se na presença de um professor e de uma criança (ensino individual) juntamente com materiais pedagógicos e reforçadores. A competência é apresentada à criança sob a forma de (tentativas) e visa ensinar uma nova competência ou comportamento.

Exemplo: O técnico apresenta ao Khaled um conjunto de imagens e pede-lhe que aponte para a imagem de um (carro). O Khaled é reforçado sempre que dá uma resposta correta. Caso dê uma resposta incorreta, o Khaled é ajudado a dar a resposta correta através de ajuda física total, segurando na sua mão e direcionando-a para a resposta correta, reduzindo gradualmente a ajuda ao tocar no cotovelo, depois com um gesto, até que responda com autonomia. Note-se que nas tentativas em que é prestada ajuda, o Khaled não receberá o reforçador, e a tentativa será repetida de novo até que ele consiga executar a competência sem necessidade de ajuda.

5. Análise de tarefas

task analysis

A análise de tarefas é utilizada para ensinar à criança competências compostas por múltiplos passos, tais como: a competência de (lavar as mãos, calçar os sapatos). O aprendiz pode tornar-se mais autónomo na utilização da competência ou do comportamento-alvo mais complexo através da análise de tarefas.

Exemplo: O Khaled, de 3 anos, está a aprender com a mãe a competência de lavar as mãos, através do encadeamento na apresentação da competência de lavar as mãos, que começa por: 1. A criança abrir a torneira da água 2. A criança molhar as mãos com água 3. A criança colocar sabonete nas mãos 4. A criança esfregar as mãos com o sabonete 5. A criança enxaguar o sabonete das mãos 6. A criança fechar a torneira da água 7. A criança secar as mãos com a toalha de papel 8. A criança deitar a toalha de papel no caixote do lixo.

6. Treino de resposta pivotal

Pivotal response training (PRT)

O treino de resposta pivotal visa treinar a criança nas áreas da linguagem e da interação social através da brincadeira, na qual a criança assume o controlo da situação de aprendizagem.

Exemplo: Enquanto estava na sala de brincadeiras, o Khaled viu o seu brinquedo favorito, um "cavalo", e fez uma boa tentativa de pedir, dizendo: "cavalo". A recompensa será o "cavalo" e não outra coisa. Também pode utilizar esta estratégia através de interações planeadas ou espontâneas.

7. Reforço

Reinforcement

O reforço descreve a relação entre o comportamento do aprendiz e a consequência que se segue ao comportamento. Esta relação só é reforçadora se a consequência aumentar a probabilidade de o aprendiz executar a competência ou o comportamento no futuro.

Exemplo: O reforço é utilizado de forma intencional e através de um esquema organizado de reforço, como quando o técnico pergunta ao aprendiz: Qual é o teu nome? E o aprendiz responde: Fahad, sendo depois reforçado pela resposta correta.

8. Ajuda ou facilitação

Prompting (PP)

A ajuda ou facilitação é uma prática eficaz para aumentar o sucesso e a generalização das competências ou comportamentos-alvo para os aprendizes, diminuindo as suas probabilidades de erro.

Exemplo: Ao treinar a criança para apontar para a imagem de um carro quando lhe é apresentado um conjunto de imagens, será prestada ajuda física total no início após perguntar-lhe: Mostra-me onde está o carro? Através de (segurar na mão da criança e ajudá-la a alcançar a resposta correta), passando depois gradualmente para a ajuda física parcial (tocar no cotovelo) e, a seguir, para o gesto, com o objetivo de alcançar o resultado de forma autónoma.

9. Extinção (EXT)

Extinction

A extinção é um princípio comportamental que pode ser utilizado para reduzir ou eliminar o comportamento-problema através da retenção das consequências (o acontecimento que se segue ao comportamento quando este se manifesta) que o mantêm e aumentam a sua taxa de ocorrência.

Exemplo: Sempre que o Fahad gritar para obter o iPad, o comportamento de gritar será ignorado; assim, com o tempo, o comportamento de (gritar) perderá a sua função de obter o iPad e desaparecerá gradualmente por ausência de função e de motivo para a execução desse comportamento.

É possível ensinar a criança a pedir de forma adequada através do uso do método de reforço diferencial (reforçar a ausência do comportamento ou treiná-la num comportamento alternativo: pedir com a frase: Quero o iPad).

10. Atraso temporal

Time Delay (TD)

O método de atraso temporal pode ser utilizado para aumentar as competências académicas, comunicativas, sociais, práticas e de brincadeira, através do atraso do intervalo entre o estímulo e a resposta.

Exemplo: Se estiver a treinar a criança para responder à pergunta: Qual é o teu nome?, ao colocar a pergunta à criança, aguarde um pouco antes de lhe prestar ajuda; dê-lhe mais oportunidade para se lembrar da resposta e a pronunciar corretamente.

11. Suportes visuais (apoio visual)

Visual Supports (VS)

São os meios que ajudam o aprendiz a processar e a compreender as informações de forma mais fácil e rápida, tais como imagens.

Exemplo: O técnico treina o Fahad na área da linguagem interativa para responder a perguntas dialogadas como: A que brincas no parque? Para ajudar o Fahad a responder, o técnico apresenta a imagem de uma "bicicleta". Será fácil para o Fahad lembrar-se da resposta correta, e o uso de imagens vai sendo gradualmente esbatido para construir um diálogo encadeado de forma autónoma.

12. Treino de comunicação funcional

Functional Communication Training (FCT)

O treino de comunicação funcional pode ser utilizado para substituir o comportamento-problema por um comportamento comunicativo mais adequado e eficaz.

Exemplo: Treinar o Mohammed a pedir utilizando a frase (Quero uma bolacha), quer seja através de linguagem falada, através de cartões ou de qualquer outra forma de linguagem. Assim, o Mohammed aprenderá a forma correta de expressar as suas necessidades em vez de recorrer à manifestação de comportamentos indesejados quando deseja obter algo específico ou transmitir o que sente aos outros.

13. Modelação

Modeling (MD)

O método de modelação pode ser utilizado para treinar a criança na execução de algumas competências motoras ou para desenvolver a sua capacidade de imitar os outros (quer seja imitação motora ou vocal).

Exemplo: A mãe do Fahad quer treiná-lo nas competências de autocuidado (como lavar as mãos e pentear o cabelo). A mãe executará a competência à frente dele para demonstrar a forma correta da tarefa e, em seguida, pedir-lhe-á que execute a tarefa.

14. Avaliação funcional do comportamento

Functional Behavior Assessment (FBA)

A avaliação funcional do comportamento é utilizada para explicar as razões por trás da ocorrência de um determinado comportamento.

Exemplo: O Youssef, de 4 anos, chora. A técnica observa os motivos que antecedem o comportamento de choro para identificar a função do comportamento. A técnica observou que o choro do Youssef ocorre quando ela se distrai dele a brincar com outra criança, com o objetivo de obter a atenção da técnica.

15. Narrativas sociais

Social Narratives (SN)

São histórias escritas. As narrativas sociais descrevem situações sociais aos aprendizes, explicando os sentimentos e pensamentos dos outros e descrevendo as expectativas de comportamento adequado.

Exemplo: O Fahad é treinado na rotina diária através da apresentação de uma história social que descreve as etapas do dia, a começar por (acordar do sono, ir à casa de banho, escovar os dentes, vestir a roupa, entrar no autocarro, ir para a escola).

16. Autogestão

Self-management

A autogestão ensina os aprendizes a distinguir entre o comportamento adequado e o inadequado, a monitorizar e registar com precisão os seus comportamentos e a recompensarem-se a si próprios pelo comportamento adequado ou pelo uso da competência.

Exemplo: O Raed tem dificuldade em sentar-se na cadeira e concluir a tarefa de escrita dentro de um período de tempo determinado (2 minutos). Podemos ajudá-lo na autogestão através de: dar-lhe instruções claras (não se levantar da cadeira até ouvir o som do alarme) e, em seguida, reforçar o comportamento correto quando ele cumprir as instruções.

17. Intervenção naturalista

(Naturalistic Intervention (NI

A intervenção naturalista baseia-se na aplicação dos princípios da análise aplicada do comportamento durante as rotinas diárias de atividades e as atividades do aprendiz, a fim de aumentar o comportamento-alvo ou reduzir o comportamento de intervenção.

Exemplo: Nesta intervenção, recorre-se à motivação do aprendiz no ambiente natural, como por exemplo: ensinar a criança a nomear brinquedos ou cores enquanto brinca e se desloca entre os brinquedos no parque infantil exterior (quando a criança vai para o baloiço, pergunta-se-lhe: O que é isto? E quando ela diz: Baloiço, brinca-se com ela no baloiço; e quando passa para o escorrega, por exemplo, vai-se com ela até lá e pergunta-se-lhe a sua cor, deixando de lhe perguntar sobre o brinquedo anterior). Assim, a criança é treinada seguindo a sua motivação durante atividades naturais e obtendo também um reforçador natural, que é o objeto sobre o qual foi questionada.

18. Intervenção cognitivo-comportamental

Cognitive Behavioral Intervention (CBI)

A intervenção cognitivo-comportamental ensina o aprendiz a controlar os seus pensamentos e emoções e a reconhecer o momento em que os pensamentos e emoções negativas aumentam. A estratégia é utilizada para mudar o pensamento do aprendiz, o seu raciocínio e o seu comportamento na direção correta.

Exemplo:

Este tipo de intervenção pode ser aplicado a indivíduos de alto rendimento (que possuem elevadas competências linguísticas e cognitivas) e decorre sob a forma de sessões nas quais se define um conjunto de objetivos, procurando-se treinar o indivíduo a evitar certos pensamentos negativos e cenários simulados, incentivando-o a pensar de forma diferente para resolver problemas e reforçando essas novas formas.

O terapeuta encoraja o terapeuta

19. Sistema de comunicação

The Picture Exchange Communication System (PECS)(R)

O sistema de comunicação por troca de imagens (PECS) é utilizado para ensinar os indivíduos a comunicar eficazmente através de cartões ilustrados. O sistema PECS é composto por 6 níveis. Precisamos de acrescentar as fases aqui

Exemplo: O Mohammed é uma criança de 7 anos com perturbação do espetro do autismo que está a ser treinado a fazer pedidos para expressar as suas necessidades e desejos através de imagens. Sempre que o Mohammed quer obter os "blocos", retira a imagem dos "blocos" da pasta de imagens e entrega-a ao professor, sendo-lhe entregues imediatamente os blocos para brincar.

20. Instrução e intervenção mediada por pares

Peer-mediated Instruction and Intervention (PMII)

Inclui o ensino de indivíduos com perturbação do espetro do autismo juntamente com os seus pares com desenvolvimento típico, baseando-se na orientação e no apoio de quem apresenta desafios e dificuldades no processo educativo através dos pares, para facilitar o processo de compreensão e domínio da competência.

Exemplo: Treinar o Saad na brincadeira social através da inclusão dos seus colegas para brincarem com ele em jogos que envolvem: partilha de turnos, procura e exploração.

21. Exercício

Exercise (ECE)

Pode ser utilizado para melhorar a aptidão física dos aprendizes. Além disso, os exercícios físicos podem ser utilizados para aumentar comportamentos desejados (tempo na tarefa, resposta correta) e reduzir comportamentos inadequados (agressão, autolesão).

22. Instrução e intervenção assistida por tecnologia

Technology-aided Instruction and Intervention (TAII)

A instrução e intervenção mediada por tecnologia refere-se ao ensino ou intervenção em que a tecnologia constitui a característica central que apoia a aquisição de um objetivo para o aprendiz.

Exemplo: A Reema gosta de usar o iPad. A técnica rentabiliza este aspeto na Reema através do ensino de competências académicas (letras e números) com recurso a aplicações educativas ou vídeos.

23. Interrupção e redirecionamento da resposta (RIR)

Response Interruption and Redirection

É uma intervenção que envolve a apresentação de pedidos ou outros tipos de fatores de distração para interromper um comportamento interferente e redirecioná-lo para uma resposta mais adequada. Visa reduzir comportamentos repetitivos, estereotipados e de autolesão.

Exemplo:

Quando surgem alguns problemas repetitivos (como o bater de asas/flapping) cuja função comportamental possa ser a (autoestimulação ou o que é conhecido como reforço automático), o procedimento consiste em interromper o comportamento (interrupção da resposta) e dar-lhe um brinquedo para ocupar as mãos (redirecionamento).

24. Treino de competências sociais

Social Skills Training (SST)

Refere-se a qualquer instrução orientada para adultos em que as competências sociais são visadas para melhoria.

Exemplo: A mãe do Mohammed aproveita as visitas sociais semanais aos familiares para ensinar o Mohammed a cumprimentar, a perguntar como estão e a interagir com os outros.

25. Modelação por vídeo

Video Modeling (VD)

A utilização de vídeos para ensinar uma competência ajuda a processar as informações de forma mais fácil e com maior rapidez.

Exemplo: O Khaled gosta muito de desenhar. A técnica mostra-lhe vídeos para ensinar a desenhar um (carro), e o Khaled imita o desenho corretamente.

26. Grupos de brincadeira estruturada

Structured Play Groups

Os grupos de brincadeira estruturada são atividades de pequenos grupos com um espaço delimitado, uma atividade, um tema e papéis definidos com os pares.

Exemplo: A professora treina os aprendizes nas cores indo até ao recreio e colocando um conjunto de cores primárias no chão (vermelho, amarelo, verde), pedindo aos aprendizes que saltem corretamente para a cor solicitada.

27. Guiões Scripting

O guião é uma pista visual ou auditiva que apoia os aprendizes a iniciar a comunicação com os outros.

Exemplo:

Ensinar crianças com perturbação do espetro do autismo a interagir socialmente, incentivando-as através da disponibilização de um modelo de guião que devem seguir (Olá, como estás?) quando encontram um amigo na sala de aula.

Fonte:

.https://autismpdc.fpg.unc.edu/evidence-based-practices


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Publicado originalmente em árabe. Esta versão em português foi produzida com tradução assistida por IA; o original em árabe permanece como referência.

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