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Para profissionais

O que são as "práticas baseadas em evidências"?

17 de outubro de 2021

O que são as "práticas baseadas em evidências"?

São os métodos e abordagens terapêuticas cuja eficácia os investigadores comprovaram através da investigação científica, e nos quais se baseia a tomada de decisões para a prestação de serviços de cuidados e educação.
As investigações também comprovaram que os indivíduos com perturbação do espetro do autismo beneficiam da intervenção precoce e de intervenções apropriadas ao longo da sua vida. A aprendizagem não termina aos cinco anos de idade; pelo contrário, os indivíduos com autismo podem beneficiar de terapias que integram abordagens baseadas em evidências, tais como técnicas de análise do comportamento e apoios visuais, para visar as competências mais relevantes para a vida dessa pessoa.

Nota:

1. Não se pode esperar que todas estas práticas sejam aplicáveis a todas as pessoas com perturbação do espetro do autismo
2. O profissional necessita de formação intensiva em cada tipo de prática que iremos mencionar aqui
3. O profissional necessita de medir a eficácia destas práticas através da definição de objetivos inteligentes para cada indivíduo com quem aplica estas práticas.
4. Estas práticas não determinam o tipo ou os objetivos em que se pode trabalhar, mas dependem da sua capacidade de deduzir os objetivos para os quais essas práticas possam ser adequadas.

1. Intervenção baseada em antecedentes:
Antecedent-based interventions (ABI)

A intervenção baseada em antecedentes é uma das formas de práticas baseadas em evidências, através da qual se utilizam intervenções baseadas em antecedentes para reduzir o comportamento problemático específico e aumentar o comportamento desejado através da modificação do ambiente.

Exemplo: O Khaled é uma criança com perturbação do espetro do autismo de 5 anos de idade. Sempre que entra na sala de aula e vê os brinquedos, atira-se para o chão no desejo de obter os brinquedos. Todas as manhãs, antes de o Khaled entrar na sala de aula, a especialista coloca os brinquedos num local alto onde o Khaled os consiga ver, mas de difícil acesso, e diz-lhe que primeiro iremos começar o processo de aprendizagem e depois poderás brincar com os brinquedos.

2. Intervenções implementadas pelos pais
Parent implemented interventions (PII)

As intervenções implementadas pelos pais consistem em profissionais que colaboram com os encarregados de educação, sendo estes formados para implementar práticas baseadas em evidências (EBPs) com os seus filhos durante as rotinas diárias e atividades.

Exemplo: Envolver a família no treino da criança através da rotina diária, como a criança treinar a expressão das suas necessidades diárias através da competência de fazer pedidos: treinando-a a usar a palavra "quero" ou a identificar o item desejado de forma clara, como dizer (água) quando deseja obter água; além disso, o treino de competências sociais: apertar a mão ao encontrar pessoas, cumprimentar os pares.

3. Reforço diferencial
Differential reinforcement

O reforço diferencial é a aplicação de reforço na ausência do comportamento problemático ou quando ocorre o comportamento alternativo, a fim de reduzir a ocorrência de comportamentos problemáticos (por exemplo: choro, agressão, autolesão).

Exemplo: O Khaled chora quando quer obter a caixa de lápis de cor; sempre que o Khaled parar de chorar, o comportamento de (não chorar) será reforçado,

4. Treino por tentativas discretas
Discrete trial training

É uma das estratégias pedagógicas derivadas da análise do comportamento aplicada, e o treino por tentativas discretas baseia-se na presença de um professor e de uma criança (ensino individual) com a presença de materiais educativos e reforçadores, sendo a competência apresentada à criança sob a forma de (tentativas) e tem como objetivo ensinar uma nova competência ou comportamento.

Exemplo: O especialista apresenta ao Khaled um conjunto de imagens e pede ao Khaled que aponte para a imagem de um (carro), e o Khaled é reforçado sempre que apresenta uma resposta correta. Caso se obtenha uma resposta errada, o Khaled é ajudado a dar a resposta correta através do fornecimento de ajuda física total, segurando na mão do Khaled e direcionando-a para a resposta correta, reduzindo a ajuda gradualmente através do toque no cotovelo, depois o gesto, até chegar à resposta de forma independente, sabendo que nas tentativas em que é fornecida ajuda o Khaled não receberá o reforçador, e a tentativa será repetida novamente até que ele consiga executar a competência sem necessidade de ajuda.

5. Análise de tarefas
task analysis

A análise de tarefas é utilizada para ensinar à criança competências que consistem em múltiplos passos, tais como: a competência de (lavar as mãos, calçar os sapatos). O aprendente pode tornar-se mais independente na utilização da competência ou comportamento-alvo mais complexo através da análise de tarefas.

Exemplo: O Khaled, de 3 anos de idade, a sua mãe está a ensinar-lhe a competência de lavar as mãos, através da sequência na apresentação da competência de lavar as mãos que começa por: 1. A criança abrir a torneira da água 2. A criança molhar as mãos com água 3. A criança colocar sabão nas mãos 4. A criança esfregar as mãos com sabão 5. A criança passar as mãos por água para retirar o sabão 6. A criança fechar a torneira da água 7. A criança secar as mãos com uma toalha de papel 8. A criança deitar a toalha de papel no caixote do lixo.

6. Treino de respostas pivotais
Pivotal response training (PRT)

O treino de respostas pivotais visa treinar a criança nas áreas da linguagem e da interação social através do brincar, no qual a criança tem o controlo da situação de aprendizagem.

Exemplo: Enquanto o Khaled estava na sala de brincadeiras, viu o seu brinquedo favorito, um "cavalo", e fez uma boa tentativa de pedir, dizendo: "cavalo"; a recompensa será o "cavalo" e não outra coisa. Também pode utilizar esta estratégia através de interações planeadas ou espontâneas.

7. Reforço
Reinforcement

O reforço descreve a relação entre o comportamento do aprendente e a consequência que se segue ao comportamento. Esta relação só é reforçada se a consequência aumentar a probabilidade de o aprendente realizar a competência ou comportamento no futuro.

Exemplo: O reforço é utilizado de forma intencional e através de um esquema de reforço estruturado, como o especialista perguntar ao aprendente: qual é o teu nome? e o aprendente responder: Fahad, sendo depois reforçado pela resposta correta,

8. Ajuda ou facilitação
Prompting (PP)

A ajuda ou facilitação é uma prática eficaz para aumentar o sucesso e a generalização das competências ou comportamentos-alvo dos aprendentes, e reduz as suas probabilidades de erro.

Exemplo: Ao treinar a criança a apontar para a imagem de um carro quando lhe é apresentado um conjunto de imagens, será fornecida ajuda física total no início, após ser-lhe perguntado: mostra-me onde está o carro?, através de (segurar na mão da criança e ajudá-la a alcançar a resposta correta), passando-se depois gradualmente para a ajuda física parcial (tocar no cotovelo), depois o gesto, o que visa alcançar o resultado de forma independente.

9. Extinção
Extinction (EXT)

A extinção é um princípio comportamental que pode ser utilizado para reduzir ou eliminar o comportamento problemático através da retenção das consequências (o acontecimento que se segue ao comportamento quando este se manifesta) que o mantêm e aumentam a sua taxa de ocorrência.

Exemplo: Sempre que o Fahad gritar para obter o iPad, o comportamento de gritar será ignorado e, consequentemente, com o tempo, o comportamento de (gritar) perderá a sua função de obter o iPad e depois desaparecerá gradualmente devido à inexistência de uma função e motivo para a realização deste comportamento,

E é possível ensinar a criança a pedir de forma adequada através da utilização do método de reforço diferencial (reforçar a ausência do comportamento ou treiná-la num comportamento alternativo: pedir com a palavra: quero iPad).

10. Atraso de tempo
Time Delay (TD)

O método de atraso de tempo pode ser utilizado para aumentar as competências académicas, comunicativas, sociais, práticas e de jogo, através do atraso do período entre o estímulo e a resposta.

Exemplo: Se estiver a treinar a criança a responder à pergunta: qual é o teu nome?, ao colocar a pergunta à criança, aguarde um pouco antes de lhe fornecer ajuda; dê-lhe mais oportunidade para se lembrar da resposta e pronunciá-la corretamente.

11. Apoios visuais (suporte visual)
Visual Supports (VS)

São os meios que ajudam o aprendente a processar e a compreender a informação de forma mais fácil e rápida, como imagens.

Exemplo: O especialista treina o Fahad na área da linguagem interativa para responder a perguntas de diálogo, tais como: a que brincas no parque? Para ajudar o Fahad a responder, o especialista apresenta a imagem de uma "bicicleta"; será fácil para o Fahad lembrar-se da resposta correta e o uso de imagens vai diminuindo gradualmente para construir um diálogo contínuo de forma independente.

12. Treino de comunicação funcional
Functional Communication Training (FCT)

O treino de comunicação funcional pode ser utilizado para substituir o comportamento problemático por um comportamento comunicativo mais adequado e eficaz.

Exemplo: Treinar o Mohammed a pedir utilizando a frase (quero bolacha), quer através da linguagem falada, quer através da utilização de cartões ou de qualquer outra forma de linguagem; assim, o Mohammed aprenderá a forma correta de expressar as suas necessidades em vez de recorrer à manifestação de comportamentos indesejados quando deseja obter algo específico ou transmitir o que sente aos outros.

13. Modelação
Modeling (MD)

O método de modelação pode ser utilizado para treinar a criança sobre como executar algumas competências motoras ou para desenvolver a sua capacidade de imitar os outros (quer imitação motora, quer vocal).

Exemplo: A mãe do Fahad quer treiná-lo em competências de autocuidado (como lavar as mãos e pentear o cabelo); a sua mãe executará a competência à sua frente para demonstrar a forma correta da tarefa e, em seguida, pedirá a ele que execute a tarefa.

14. Avaliação funcional do comportamento
Functional Behavior Assessment (FBA)

A avaliação funcional do comportamento é utilizada para explicar os motivos por trás da ocorrência de um determinado comportamento.

Exemplo: O Youssef, de 4 anos de idade, está a chorar. A especialista observa os motivos que antecedem o comportamento de choro para descobrir a função do comportamento. A especialista observou que o choro do Youssef ocorre quando ela se distrai do Youssef a brincar com outra criança, no desejo de obter a atenção da especialista.

15. Narrativas sociais
Social Narratives (SN)

São histórias escritas; as narrativas sociais descrevem situações sociais aos aprendentes através da explicação dos sentimentos e pensamentos dos outros e da descrição das expectativas de comportamento adequadas.

Exemplo: O Fahad é treinado na rotina diária através da apresentação de uma história social que descreve as etapas do dia, a começar por (acordar do sono, ir à casa de banho, escovar os dentes, vestir a roupa, entrar no autocarro, ir para a escola).

16. Autogestão
Self-management

A autogestão ensina os aprendentes a distinguir entre o comportamento adequado e o inadequado, a monitorizar e registar com precisão os seus comportamentos, e a recompensarem-se a si próprios pelo comportamento adequado ou pela utilização da competência.

Exemplo: O Raed tem o problema de se sentar na cadeira e concluir a tarefa de escrita dentro de um período de tempo determinado (2 minutos); podemos ajudá-lo na autogestão através de: dar-lhe instruções claras (não levantar-se da cadeira até ouvir o som do despertador) e, em seguida, reforçar o comportamento correto quando ele cumpre as instruções.

17. Intervenção naturalista
(Naturalistic Intervention (NI

A intervenção naturalista baseia-se na aplicação dos princípios da análise do comportamento aplicada durante a rotina diária de atividades e atividades do aprendente, a fim de aumentar o comportamento-alvo ou reduzir o comportamento de interferência.

Exemplo: Nesta intervenção, baseia-se na motivação do aprendente no ambiente natural, tal como: ensinar a criança a nomear brinquedos ou cores enquanto brinca e se desloca entre os brinquedos no parque infantil exterior (quando a criança vai para o baloiço, pergunta-se-lhe: o que é isto? e quando ela diz: baloiço, brinca-se com ela nele; e quando ela passa para o escorrega, por exemplo, vai-se com ela para lá e pergunta-se-lhe a sua cor, deixando de lhe perguntar sobre o brinquedo anterior). Assim, a criança é treinada seguindo a sua motivação durante as atividades naturais e obtendo também um reforçador natural, que é aquilo sobre o qual foi questionada.

18. Intervenção cognitivo-comportamental
Cognitive Behavioral Intervention (CBI)

A intervenção cognitivo-comportamental ensina o aprendente a controlar os seus pensamentos e emoções e a reconhecer quando os pensamentos e as emoções negativas se intensificam; a estratégia é utilizada para mudar o pensamento do aprendente, o seu raciocínio e o seu comportamento na direção correta.

Exemplo: Este tipo de intervenção pode ser com indivíduos de alto desempenho (possuem elevadas competências linguísticas e cognitivas) e ocorre sob a forma de sessões nas quais se estabelece um número de objetivos e se tenta treinar o indivíduo a evitar alguns pensamentos negativos e cenários simulados, incentivando-o a pensar de forma diferente para resolver problemas e reforçando esses novos métodos.

O terapeuta dedica-se a incentivar o terapeuta

19. Sistema de comunicação
The Picture Exchange Communication System (PECS)(R)

O Sistema de Comunicação por Troca de Imagens (PECS) é utilizado para ensinar os indivíduos a comunicar de forma eficaz utilizando cartões expressivos, e o sistema PECS é composto por 6 níveis. Precisamos de adicionar as etapas aqui

Exemplo: O Mohammed, uma criança com perturbação do espetro do autismo de 7 anos de idade, está a ser treinado a pedir para expressar as suas necessidades e desejos utilizando imagens. Sempre que o Mohammed quer obter os "blocos de construção", retira a imagem dos "blocos de construção" do dossier de imagens e entrega a imagem ao professor, sendo-lhe os blocos entregues de imediato para brincar.

20. Instrução e intervenção mediadas por pares
Peer-mediated Instruction and Intervention (PMII)

Inclui o ensino de indivíduos com perturbação do espetro do autismo juntamente com os seus pares com desenvolvimento típico, e baseia-se na orientação e apoio a quem apresenta desafios e dificuldades no processo educativo através dos pares para facilitar o processo de compreensão da competência e o seu domínio.

Exemplo: Treinar o Saad no jogo social através do envolvimento dos seus colegas a brincar com ele em jogos que incluem: troca de turnos, busca e exploração.

21. Exercício físico
Exercise (ECE)

Pode ser utilizado para melhorar a aptidão física dos aprendentes. Além disso, o exercício físico pode ser utilizado para aumentar comportamentos desejados (tempo na tarefa, resposta correta) e diminuir comportamentos inadequados (agressão, autolesão).

22. Ensino e intervenção com recurso à tecnologia
Technology-aided Instruction and Intervention (TAII)

O ensino e intervenção apoiados por tecnologia referem-se ao ensino ou intervenção em que a tecnologia representa a característica central que apoia a aquisição de um objetivo para o aprendente.

Exemplo: A Reema gosta de utilizar o iPad. A especialista rentabiliza este aspeto na Reema através do ensino de competências académicas (letras e números) utilizando aplicações educativas ou vídeos.

23. Interrupção e redirecionamento da resposta (RIR)
Response Interruption and Redirection

É uma intervenção que envolve a apresentação de exigências ou outros tipos de fatores de distração para interromper um comportamento interferente e redirecioná-lo para uma resposta mais adequada. Visa reduzir comportamentos repetitivos, estereotipados e de autolesão.

Exemplo: Quando surgem alguns problemas repetitivos (como o flapping), cuja função comportamental pode ser (a autoestimulação ou o que é conhecido como reforço automático), o procedimento consiste em interromper o comportamento (interrupção da resposta) e dar-lhe um brinquedo para ocupar as mãos (redirecionamento)

24. Treino de competências sociais
Social Skills Training (SST)

Refere-se a qualquer instrução dirigida a adultos em que as competências sociais são visadas para melhoria.

Exemplo: A mãe do Mohammed aproveita as visitas sociais semanais aos familiares para ensinar o Mohammed a cumprimentar, perguntar como estão e interagir com os outros.

25. Modelação por vídeo
Video Modeling (VD)

A utilização de vídeos para ensinar uma competência ajuda a processar a informação de forma mais fácil e com maior rapidez.

Exemplo: O Khaled gosta muito de desenhar; a especialista mostra-lhe vídeos para ensinar a desenhar um (carro) e o Khaled imita o desenho corretamente.

26. Grupos de brincadeira estruturada
Structured Play Groups

Os grupos de brincadeira estruturada são atividades de pequenos grupos com um espaço definido, atividade, tema e papéis com os pares.

Exemplo: A professora treina os aprendentes nas cores indo para o recreio e colocando um conjunto de cores primárias no chão (vermelho, amarelo, verde), pedindo aos aprendentes que saltem para a cor solicitada corretamente.

27. Elaboração de guiões
Scripting

A elaboração de guiões é uma pista visual ou auditiva que apoia os aprendentes a iniciar a comunicação com os outros.

Exemplo: Ensinar crianças com perturbação do espetro do autismo a interação social incentivando-as através da colocação de um modelo de guião que elas seguem (Olá, como estás?) quando encontram um amigo na sala de aula.

Fonte:

https://autismpdc.fpg.unc.edu/evidence-based-practices

Publicado originalmente em árabe. Esta versão em português foi produzida com tradução assistida por IA; o original em árabe permanece como referência.

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